Não. Não é mais um texto sobre sustentabilidade e cuidar do planeta, mas é como devemos cuidar de nosso próprio orgão da fala, a língua. Nas palavras de Tiago, "Vejam como um bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo;" (Tg 3.5,6) E ele disse que tudo, até os animais mais selvagens se pode controlar, mas quem há de controlar a língua? Esse problema me intriga.
Já há algum tem tempo em que conversava com um conhecido, ele era sociológo (cito aqui o ofício, pois vivemos do costume onde um título legitíma uma palavra não importando de onde procede tal verdade, enfim), ele dizia que era interessante a proliferação dos meios como blogs pois assim as pessoas estavam podendo falar mais, isto é, em outras palavras, as pessoas podem dizer mais o que pensam e, como consequência disso, serem mais ouvidas. Concordo. Mas concordo também com um outro conhecido meu que um dia já frequentamos a mesma igreja, e ele disse pra mim uma vez que já não suportava mais as pregações de um pastor que falava o que bem entendia na hora do culto, ele alegou, "se alguém quer dizer o que vem a mente, faz um blog na internet e fala o que quiser. Mas não encha a cabeça das pessoas com a falta de discernimento". Temo e triste, devo concordar com as duas opiniões que se atacam e entrelaçam ao mesmo tempo.
Não pretendo aqui entrar no longo discurso dos simulacros gerados através da vida virtual. Mas o que gostaria é de chamar a atenção justamente para a questão deste lindo, plausível, paupável e incomparável "fale o que quiser". "FALE O QUE QUISER". Me costrange isto, pois muito tenho lido em blogs de cristãos - e pessoas sérias, não estou aqui para discutir a seriedade de suas vidas com Deus - coisas que só sabem condenar a prática de tais igrejas e tais teologias e tais descaminhos. Me preocupa. Me preocupa porque não deveriamos utilizar deste mais novo meio também para mostrar o quanto o homem é corrupto e bárbaro carente de Deus? Porém, ao contrário me parece que estas pessoas estão sempre a criticar o método sem apresentar ou sintese que torne possível a salvação de um povo. Eu nunca conheci almas ganhas porque alguém entrou numa igreja falndo mal de outra; pelo contrário, nisto eu conheci revolta.
Também não quero me prolongar aqui. Minha intenção é fazer um apelo aos beligerantes, aos escritores, aos teólogos, blogueiros, então. Que lembremos das palavras de Tiago. Não é porque esse meio de comunicação nos pemite uma maior liberdade de expressão significa que nos permite não ouvir a sabedoria da bíblia de que às vezes podemos achar que fazemos um bem, mas na verdade estamos espalhando fogo. Pensamos que louvamos ao Senhor, mas amaldiçoamos os homens (Tg. 3.9).
Posso dizer com certeza que devemos falar mais da grandeza de Deus do que do fracasso dos homens. Falar mais do que faz de um homem um grande discípulo do que falar do não temos feito para tornar-nos um. Uma campanha em favor do porque se ama o evangelho de Jesus, e não "porque odeio a teologia da prosperidade". Tantas coisas, enfim, que poderiamos substituir por algo mais excelente, por uma água que mate a sede e não um fogo que consome desonesto. Esta é, queridos, feliz ou infelizmente - depende da posição que pretende adotar - a nossa postura enquanto cristãos. Não podemos deixar de sê-lo só porque estamos em um mundo do simulacro aonde ninguém sabe quem sou e vice-versa. Aonde temos espaço para sermos ouvidos e, se replicados, somos muito mais capazes de elaborar a resposta do que se estivessemos "in the flesh", como seria a expressão inglesa, "em carne e osso". Nosso discernimento deve estar aqui e acolá, sempre e agora, dominando sobre as palavras, dominando sobre a razão, ou seria a razão maior do que o Espírito de Deus? É certo que não podemos nos calar diante das distoções da Palavra, mas daria alguém pedras a quem pedisse tão simplesmente pão? Seria como dar uma comida extremamente pesada à alguém que há dias não come. Precisamos das palavras certas na hora certa para que não seja criada mais revolta ao invés de volta ao evangelho do Senhor. Amém.
"A palavra proferida no tempo certo
é como frutas de ouro
incrustradas numa escultura de prata."
(Provérbios 25.11)