terça-feira, 26 de maio de 2009

GO.


Texto da mais nova propaganda do cartão de crédito VISA. Deixei o link ali (clique no título) pra quem quiser ver o vídeo. Está em inglês com legenda. A voz do locutor é do nada mais simpático Morgan Freeman. (o homem livre...) A música todos devem ser carecas de sabê-la ser dos Esmagadores de Abóboras - Smashing Pumpkins - "Today".

Pode ser muito piegas e um tanto inculto da minha parte. E capitalista e previsível da parte deles.
Também acho que as propagandas brasileiras escolheram músicas tema muito melhores, como foi o caso da propaganda da Sadia que tocava "Perhaps Love" de John Denver, e "Fake Plastic Trees" do Radiohead, na campanha contra o preconceito da sindrome de down. Mesmo assim, gostei muito do tom poético. Espero que o querido Bial não queira estragar isso também...
Ah! só para constar, eu não vou de Visa.



"Um novo começo
Uma chance de fazer tudo diferente
E ai?
O que você vai fazer?
Será que você vai sair de casa e virar para esquerda,
invés da direita?
Vai inventar uma receita nova?
Descobrir sua nova música favorita?
Vai fazer uma coisa que sempre quis?
Você vai crescer e fazer os outros crescerem também?
Será que você vai seguir em frente, aconteça o que acontecer?
Então vamos juntos"

quinta-feira, 30 de abril de 2009

América - de Allen Ginsberg

América eu te dei tudo e agora não sou nada.

América dois dólares e vinte e sete centavos 17 de Janeiro de 1956.

Não suporto mais minha própria mente.

América quando vamos acabar com a guerra humana?

Vá se foder com sua bomba atômica.

Não me sinto bem não me incomode.

Não vou escrever meu poema até que me sinta bem.

América quando você será angelical?

Quando você vai tirar a roupa?

Quando você vai se ver pela lápide?

Quando você vai merecer seu milhão de Trotskistas?

América por que suas bibliotecas estão cheias de lágrimas?

América quando você vai mandar seus ovos à Índia?

Estou cheio de suas exigências insanas.

Quando vou poder entrar no supermercado e comprar o que preciso com meu charme?

América afinal somos você e eu os perfeitos não o outro mundo.

Sua maquinaria é demais pra mim.

Você me fez querer ser um santo.

Deve haver algum outro modo de resolver esta discussão.

Burroughs está em Tânger não acho que ele vá voltar isso é sinistro.

Você está sendo sinistra ou isto é algum tipo de piada?

Estou tentando chegar ao ponto.

Me recuso a desistir de minhas obsessões.

América pare de me empurrar sei o que estou fazendo.

América as pétalas das ameixeiras estão caindo.

Não tenho lido o jornal há meses todos os dias alguém vai a júri por assassinato.

América eu me comovo com os Wobblies.

América eu era um comunista quando garoto eu não me arrependo.

Eu fumo maconha sempre que tenho chance.

Sento em minha casa dias a fio olhando as rosas no armário.

Quando vou a Chinatown fico bêbado e nunca consigo alguém para trepar.

Eu resolvi vai haver confusão.

Você devia ter me visto lendo Marx.

Meu psicanalista acha que estou indo muito bem.

Não vou dizer as Orações ao Senhor.

Eu tenho visões místicas e vibrações cósmicas.

América eu ainda não lhe disse o que você fez com o tio Max depois que ele voltou da Rússia.

Estou falando com você.

Você vai deixar sua vida emocional ser controlada pela Revista Time?

Eu sou obcecado pela Revista Time.

Eu a leio toda semana.

Sua capa me encara toda vez que passo furtivo pela confeitaria da esquina.

Eu a leio no porão da Biblioteca Pública de Berkeley.

Ela está sempre me falando de responsabilidade.

 

Homens de negócios são sérios. Produtores de cinema são sérios. Todo mundo é sério menos eu.

Me ocorre que eu sou América.

Estou de novo falando sozinho.


(está é apenas uma parte do poema de Ginsberg, do livro Uivo. Maravilhoso. Sem mais palavras.)

 

 

quarta-feira, 8 de abril de 2009

chambers 
chambers
a donde vas?

meritórias póstumas
a qualquer...

"chambers 
chambers
a donde vas?"

sempre que me sinto só
e que me vou ao Algarve
e já não desejo voltar

chambers 
chambers
conoscistes a Josephine? 

en dessous d'un arbre
j'ai pleuré mes larmes

domingo, 30 de novembro de 2008

De Adão para além de Fernando Pessoa


Tenho lido "A imitação de Cristo" de Tomás de Kempis.
E como sempre minha cabeça a corelacionar fatos aqui e longe daqui, recordei-me "poema em linha reta" de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa). Recordei-me de TS Eliot, que diz: "o mundo todo só nos serve de hospital/ o último bem do milionário arruinado".
E de tanto degredo, podemos ler poetas, homens de Deus e, também, homens que não conheceram a Deus declarar degredo do estado de miséria que se encontra a alma humana desde o pecado de Adão. De Adão até centésima geração depois de nós seria muito mais vil não reconhecermos isto. E será de bom grado que eu, antes de tudo, passe a reconhecer:

"E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."
(Fernando Pessoa)

E respondeu Tomás muitos séculos antes:

"Mas, ai daqueles que não conhecem a sua miséria, e, outra vez, ai daqueles que amam esta miserável e corruptível vida!
(...)
Ó insensatos e duros de coração, que tão profundamente jazem apegados à terra, que não gostam senão das coisas carnais. Infelizes! Lá virá o tempo em que hão de sentir, muito a seu custo, como era vil e nulo aquilo que amaram." (cap. 22)

Mas, muito antes ainda, declarava Paulo de Tarso aos Conríntios:

"Mas graças a Deus que nos dá a vitória por Jesus Cristo nosso Senhor."